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São muito característicos e conhecidos os costumes da população de Vila da Ponte , com características muito específicas, no carácter, personalidade, hábitos e costumes. São pessoas receptivas, leais e com muita sensibilidade; não possuem grandes aspirações, mas são sóbrios, decididos e resistentes ao trabalho, sendo também resignados e pacientes.

 Pelas suas características de pacientes e nada ousados, contentam-se facilmente com o seu “status”, desde que não lhe usurpem algumas das suas regalias. Excessivamente bairrista, contenta-se com a horta e a leira que o sustentam, com a sua casa, e uma alimentação com poucas proteínas animais. Trabalha no campo do nascer ao pôr do sol, e muito económico em tudo, amealhando durante a vida para oferecer aos filhos. Como tal vive sem sem grandes luxos e alheio a altos confortos.
Mantém-se ainda neste concelho tais usos e costumes tradicionais.

A população é inteligente, e com aptidões para as letras e ciências, como provam os que a elas se têm dedicado; fala-se com considerável correcção e pureza a língua portuguesa, com termos e frases clássicas , cujo vocabulário usual só se explica pela cultura antiga deste povo, transmitida através das várias gerações.

Assim sendo, com esta vida rotineira do dia a dia, também é de possuírem a contrapartida e de quando em quando, de horas de regalo, alegria, convivência, festa, ou seja rituais de vida e de festejo próprios da ocasião do ano em causa.
Discutimos neste trabalho o Carnaval:

 

festejos, outrora consagrados à divindade egípcia Ísis, mas  adquirido dos gregos que os realizavam em honra de Dionísos, um deus do vinho e dos prazeres da carne.

O uso de máscaras que ocorre durante os festejos de Carnaval (em que estas que procuram representar alguém sem ser a própria morte). tem na sua origem um carácter religioso relacionado ainda com o culto dos mortos. Acendem-se fogueiras  são lidas as pulhas e os "testamentos" na queima do judas e outros bonecos.

Perdida que foi a sacralidade primitiva, os festejos chegam até nós pela tradição, despojados de espiritualidade, apenas envoltos em fantasia e divertimento, mas contendo ainda em si os elementos   que o determinaram. 

A tradição trouxe até nós tais práticas que passaram a fazer parte do folclore muito "sui generis" de Vila da Ponte.

Executei
um trabalho em 1999 em Vila da Ponte com todo o cerimonial de ritual e comportamento humano na terça-feira de Carnaval, que considero um autêntico espectáculo natural e espontâneo,  segundo as principais tradições populares e transmitidas, conforme referido, pela antecessora cultura Greco-Românica.

 
                                                    António Canotilho

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