O uso de máscaras e transformação da imagem que ocorre durante os festejos de
Carnaval tem na sua origem um carácter religioso relacionado ainda com o
culto dos mortos, pretendendo-se com a sua antropomorfização invocar os seus
espíritos e a sua intercessão no ciclo ininterrupto de vida e morte da
própria
natureza e dos vegetais, razão pela qual muitos mascarados se vestem
dos mais diversos modos, afivelam máscaras que representam esqueletos ou
simplesmente a própria morte.
Também é característico nos dias de hoje, a representação dos figurinos
carnavalescos, se relacionarem com os comportamentos "aberrantes" da
sociedade
humana actual, em especial aqueles que mais são objecto de crítica
perante os valores convencionais e tradicionais, e transcendentes às
mudanças da natureza, tal e qual conforme ela foi concebida.
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Ou seja, a representação de seres que correspondem à antítese do ser humano
tradicional e da cultura que o gere ao longo dos séculos, e que serve no dia
de Carnaval de autêntico espectáculo e valor crítico a essa tal postura
abstracta e psicótica da sociedade: Pessoal
Gay-1 e Pessoal
Gay-2 .
Depois aparecem também figurinos, juventude, com é óbvio que que
procuram duma forma caricata, sexy e aberrante, transmitir um certo delirium
do dia carnavalesco em que, dentro das boas regras sociais "quase tudo é
permitido: as cenas
Chocantes.
A criatividade e as mais diversas iniciativas estão na imaginação de
cada um, e aqui bem podemos observar que o Sernancelhence, embora
sendo homem de labuta, em ocasião de
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Os Gays-1
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O
falecido entrudo |
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Os Gays-2 |
O Mártir |
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Cenas
Chocantes |
O crucifixo |
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Que Médica !!! |
Cerimónias
fúnebres |
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As Beldades |
Queima do entrudo |
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Jeito na simulação |
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festa e de iniciativa é bem criador, representador, característico e
original. Esta cena que interessante:
Que Médica !!!
Depois a imaginação de cada um, a melhor maneira de se representar:
ver alguns exemplos e
As Beldades
Seguem-se os rituais da tradição ao longo do dia: O
Mártir.
Acendem-se fogueiras, a
procissão e o crucifixo no pelourinho, chora-se
o
falecido entrudo,
e seguidamente vêm as cerimónias
fúnebres e
para terminal, durante a
noitinha
queima-se o entrudo.
ritual terminam com as
o entrudo, costume aliás que de igual modo deve estar na origem da serração
da velha, a qual também nos aparece sob a forma de pulhas
e ainda na
versão mais cristianizada da queima do Judas. É neste contexto ainda que
se inserem as tradicionais máscaras no nosso concelho de Sernancelhe e as
festas dos populares que ali têm lugar. Com o
decorrer dos tempos, estas
festividades também adquiriram um carácter de crítica social, visando com
ele corrigir
os desvios verificados no ano velho de modo ao renascimento
da natureza também se operar no indivíduo e no seio da própria sociedade,
o que explica as pulhas
e os "testamentos" que são lidos na da na queima
do judas, bem assim como as máscaras que procuram representar alguém sem
ser a própria morte. Aliás, na
tragédia grega a máscara que era usada
significava precisamente a "pessoa" que se representava.
Perdida que foi a sacralidade primitiva, os festejos chegam até nós pela
tradição, despojados de espiritualidade, apenas envoltos em fantasia e
divertimento, mas contendo ainda em si os elementos que o determinaram.
A tradição trouxe-nos até nós tais práticas que passaram a fazer parte do
nosso folclore de Vila da Ponte. Pese embora as transformações culturais e
as
modificações que entretanto se operaram na mentalidade dos povos, as
mudanças sociais e
de modos de vida cada vez mais divorciada da própria
natureza,
cumpre-nos manter tais costumes como forma de preservar a nossa
identidade e, o que nos parece essencial, a nossa própria dimensão humana.
Graças à tradição conseguiremos transmitir aos vindouros o conhecimento
humano que os nossos ancestrais nos legaram !
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